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26 de setembro de 2019
Riteba McCallum

Linguagem inclusiva e impacto social

Muitas mulheres não se importam com o uso padrão de pronomes e substantivos masculinos em referência a grupos mais abrangentes de pessoas, ou até mesmo a todos os seres humanos. Afinal, a legislação brasileira está impregnada de referências masculinas, mas isso não anula a proteção das mulheres por lei. Por exemplo, o termo "direito de paternidade" é usado para assegurar o direito autoral das mulheres em relação às obras que produzem. O o órgão regulador do exercício profissional da advocacia se chama Ordem dos Advogados do Brasil, o que não impede as mulheres de se formarem em Direito. É claro que essas palavras refletem um passado sexista, mas hoje as mulheres têm muito mais espaço do que antigamente. Afinal de contas, quem se importa com o politicamente correto quando se pode ter (ou lutar por) igualdade na prática?

Por mais que muita gente pense assim, a verdade é que o uso das palavras têm influência social. Se for linguista, provavelmente você já sabe disso por intuição. Mesmo assim, é importante lembrar que essa questão também é comprovada cientificamente. Cientistas cognitivos como Lera Boroditsky afirmam que a linguagem é capaz de moldar a forma como pensamos, e vários estudos sugerem que o uso da linguagem inclusiva tem influência direta nos comportamentos e preconceitos das pessoas.

A linguagem sexista reforça atitudes sexistas

O que talvez você não saiba é que essa influência ocorre nos dois sentidos: a linguagem define nossa forma de pensar, e a nossa forma de pensar define a linguagem. Os mecanismos de gênero que usamos atualmente se desenvolveram como reflexo de um contexto social ultrapassado. Em uma sociedade em que somente os homens tinham o direito de trabalhar e estudar, por exemplo, era comum usar a palavra "homem" como sinônimo de "todas as pessoas relevantes". Mesmo quando existe a preocupação de incluir as mulheres no discurso, você já observou que a forma “homens e mulheres” é muito mais comum do que “mulheres e homens”? Na maioria dos casos, o masculino aparece primeiro. Um estudo sobre a ordenação de frases com palavras de gêneros distintos (como "homens e mulheres" ou "mães e pais") revelou que o gênero feminino é mais priorizado em contextos de família/escola do que em contextos profissionais.

Esses estereótipos são reforçados inconscientemente quando usamos uma linguagem sexista, mesmo que nossa intenção não seja essa. Ainda que as mulheres da atualidade tenham muito mais voz e influência, esse comportamento linguístico acaba causando um efeito negativo na sociedade. Um estudo semelhante mostrou que o uso genérico de “o candidato” em uma vaga de emprego fez as candidatas se sentirem menos incluídas e menos motivadas a seguirem adiante no processo seletivo, em comparação com uma vaga para o mesmo emprego que usava linguagem inclusiva.

A linguagem inclusiva amplia as perspectivas

Se você ainda não se convenceu, o próximo exemplo vai fazer você pensar duas vezes. Um estudo recente feito em sueco com base no pronome neutro hen revelou que o uso desse pronome reduz a tendência inconsciente de favorecimento aos homens e estimula sentimentos positivos em relação a mulheres e pessoas LGBT.

Os participantes do estudo foram organizados em três grupos, receberam um desenho simples de uma figura humana passeando com um cão e escreveram uma história sobre o desenho. No entanto, cada grupo foi instruído a escrever usando um dos pronomes: hen (neutro), han (ele) e hon (ela). No exercício seguinte, os participantes deveriam escrever uma história sobre alguém concorrendo a um cargo político (desta vez, os pesquisadores não indicaram o pronome a ser usado). No teste final, os participantes responderam perguntas relacionadas a suas opiniões sobre mulheres e pessoas LGBTs.

Os resultados mostraram que integrantes do grupo instruído a usar hen no primeiro exercício foram mais propensos a descrever uma pessoa não masculina para ocupar o cargo político e expressaram opiniões mais positivas em relação às pessoas LGBT.

Dicas para aprimorar sua escrita inclusiva

Agora que você já entendeu a importância de abandonar velhos hábitos linguísticos, veja algumas dicas para tornar sua escrita mais inclusiva e diminuir a dependência dos pronomes "ele" ou "ela".

1. Use o plural.

Em vez de dizer que "um bom profissional é sempre dedicado ao trabalho", afirme que "bons profissionais sempre se dedicam ao trabalho".

2. Use substantivos.

Que tal trocar o adjetivo de “você está interessado na oferta" e reformular a frase dizendo que "você tem interesse na oferta"?

3. Dispense o uso de artigos desnecessários

Artigos podem parecer insignificantes, mas veja a diferença entre "Associação dos Jornalistas do Brasil" e "Associação de Jornalistas do Brasil". Impactante, não é?

4. Use palavras comuns a vários gêneros

Fazer esse exercício é mais simples do que você imagina. Por exemplo, em vez de dizer que alguém "ficará encarregado da documentação", não custa dizer que esse alguém "será responsável pela documentação".

5. Usar recursos textuais de inclusividade é um exercício constante que pode fazer a diferença para quem lê sua mensagem.

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